Vinhos da Itália - Tudo Que Você Precisa Saber

17/06/2016

 

A história dos vinhos na Itália remonta da Pré História; sementes de uvas e sedimentos de vinho foram encontrados em sítios arqueológicos datados de 1.200 a.C. Suas ilhas do sul e terras do norte, que na antiguidade clássica receberam visitas de tribos bárbaras e mercadores de todas as partes da Europa e África, absorveram influências culturais de cada um destes povos, mas são, sem dúvida, os romanos que arraigaram o valor do vinho no subconsciente coletivo do país.

 

Disse o poeta romano Horácio que “poema algum jamais foi escrito por um bebedor de água”, e, independentemente da verdade contida ou não nesta máxima, ela apenas comprova parte do valor que os romanos atribuíam a bebida, creditando ao vinho, inclusive, a qualidade de um presente dos deuses – mais especificamente um presente de Baco, ao qual festejos e celebrações eram dedicados, sempre regados a muito vinho.

 

A influência dos romanos sobre a viticultura italiana se inicia com a expansão do Império para a ilhas da Sicilia e Sardenha. Enquanto outras partes do território que, no futuro viria a se transformar na famosa bota, recebiam influências vinícolas de gregos e etruscos, os romanos que se estabeleceram em territórios da Itália desenvolveram muitas das técnicas que são ainda usadas não apenas no país como também ao redor do mundo até os dias de hoje: maturação e envelhecimento, conservação em barris de carvalho e escolha de variedades cultivadas conforme o território em que melhor estas se desenvolviam, são parte do legado deixado pelo Império Romano a Itália, e repassada às demais regiões produtoras de vinho no mundo com o passar dos séculos.

 

Muito embora a queda do Império tenha desestruturado a cultura do vinho na Itália, ela jamais foi abandonada por completo. Com o alvorecer da Revolução Industrial, a partir do final do século XIX, a vinicultura da Itália passou a desenvolver novas técnicas, desenvolvendo suas castas locais e firmando sua identidade e reputação como dona de alguns dos melhores rótulos do planeta. Sendo atualmente o maior exportador de vinhos mundial e o segundo país em maior produção, a Itália conta com uma diversidade de rótulos suficiente para entreter um grande apreciador por toda uma vida. São cerca de 18.000 nomes, quer produzidos por grandes ou pequenas vinícolas, cujas vinhas podem se originar tanto de terras nobres ou camponesas; praticamente não há lugar na Itália onde pelo menos uma plantação de videiras não possa ser encontrada.

 

Para entender a diversidade de regiões da Itália, estas são grupadas segundo sua localização geográfica, o que responde por uma certa homogeneidade de caracteristicas comuns, resultado da latitude (norte frio e sul quente) altitude (que reforça as tendencias da latitude) e a influência do mar (regiões costeiras ou continentais).

Em cada uma das macro-regiões assim definidas encontraremos diversas regiões, que por suas vez abrigam dezenas de D.O.C. (Denominações de Origem).

Assim sendo, a divisão macro-regional aqui apresentada não é oficial, mas apenas um grupamento que permite entender melhor as características geo-climáticas que afetam diversas regiões - estas sim, oficiais - ali situadas.

 

Vinhos classificados como VINO DA TAVOLA são vinhos de qualidade inferior, de qualquer procedência geográfica e não podem ter no rótulo o nome da uva, nem a safra, nem a região. Constituem cerca de 80% dos vinhos da Itália. Existem alguns poucos Vinos da Tavola de ótimo nível, por não se enquadrarem nas normas das D.O.C. e D.O.C.G.

 

A denominação INDICAZIONE GEOGRAFICA TIPICA (I.G.T.) foi instituida a partir de 1992 e é aplicada em cerca de 150 vinho de mesa elaborados em regiões geográficas específicas (uma província, uma comuna ou parte delas, tais como, uma colina, um vale).

 

A denominação VINI TIPICI equivale ao Vin de Pays da França e, apesar de criada em 1989, continua sem uma normatização precisa. Pretende-se aplicar essa designação a vinhos de mesa diferenciados, com tipologia definida.

 

A classificação DENOMINAZIONE DI ORIGINE CONTROLLATA (DOC) é uma qualificação criada em 1963, é atribuída aos vinhos provenientes de cerca de 300 regiões vinícolas delimitadas que podem ser uma pequena área, uma província ou uma área geográfica ainda maior.

Sua quantificação é complicada, pois algumas regiões, como Valle d’Aosta e Chianti, possuem diversos vinhos de distritos diferentes, mas são contadas como uma única D.O.C.

Apenas cerca de 15% dos vinhos italianos pertencem às D.O.C. e são elaborados com tipos específicos de uvas para cada região e por métodos específicos de vinificação.
Cerca de 850 vinhos possuem a designação D.O.C. e, junto com os D.O.C.G., representam apenas cerca de 20% dos vinhos italianos.
Em algumas D.O.C. existem sub-classificações, tais como: Riserva ou Vecchio, para vinhos envelhecidos maior tempo em madeira; Superiore, para vinhos maior teor alcoólico ou maior período de envelhecimento.

 

A classificação DENOMINAZIONE DI ORIGINE CONTROLLATA E GARANTITA – D.O.C.G. foi criada em 1982, abrange os melhores vinhos da Itália. É atribuída aos vinhos de quatorze D.O.C.:

Barbaresco, Barolo, Gattinara e Asti, no Piemonte;
Franciacorta, na Lombardia;
Brunello de Montalcino, Carmigiano, Chianti, Vino Nobile di Montepulciano e Vernaccia di San Gimignano, na Toscana;
Albana di Romagna (na Emilia Romagna); Montefalco Sagrantino e Torgiano Rossso Riserva, na Umbria;
Taurasi (na Campania)

 

Alguns vinhos italianos não possuem classificação. São considerados entre os melhores do país e do mundo, classificando-se apenas como Vino da Tavola ou I.G.T., por não se enquadrarem nas normas das D.O.C. e D.O.C.G., por isso, são apelidados de “os fora da lei”. Na Toscana são chamados de Super-Toscanos.

Algumas outras categorias não tem relação com qualidade, mas apenas com uma característica específica que diferencia determinados vinhos de outros.

 

O Novello (Jovem) é um vinho semelhante ao Beaujolais Nouveau francês que como o próprio nome diz, é jovem e deve ser consumido logo.

Vecchio (Velho) é o vinho que envelhece o mínimo três anos antes da comercialização.

Classico é uma denominação que diferencia algumas D.O.C. em níveis de qualidade, por exemplo Chianti e Chianti Classico.

Superiore é o vinho que envelhece no mínimo um ano antes da comercialização.

Riserva (Reserva) é o vinho que envelhece no mínimo três a cinco anos antes da comercialização.

Spumante é o vinho espumante, como o Champagne, elaborado tanto pelo método Charmat ou por método Champenoise.

Frizzante (Frizante) é o vinho ligeiramente espumante, como o vinho verde português.

Secco, Abbocado , Amabile e Dolce definem o teor de açúcar que o vinho pode ter.

Liquoroso (Licoroso) é o vinho fortificado ou naturalmente forte.

Passito (Passificado) é o vinho elaborado de uvas semi-desidratas (passas).

Ripasso (Repassado) é o vinho que após elaborado é deixado repousar nas borras de fermentação do Amarone, ganhando corpo, sabor e teor alcóolico.

 

As principais regiões produtoras da Itália se dividem, em linhas gerais, em Norte, Centro e Sul. No norte, encontramos a região de Piemonte, com seus vinhos Barolo e Barbaresco, além de inúmeras vinhas dedicadas a produção de espumantes, vinhos tintos e em maior escala, vinhos brancos. A região central concentra a lendária Toscana e seu arredores, ainda hoje na linha de frente entre os vinhos de primeira grandeza italianos. Nas ilhas do sul, as já mencionadas Sicilia e Sardenha, mantendo viva a tradição mediterrânea de vinhos tintos mais potentes e alcoólicos, e também a de especialidades, como o fortificado Marsala.

 

Em cada uma das grandes regiões, inúmeras micro-regiões produzem seus vinhos a todo o vapor, protegendo seus nomes e marcas sob legislações de qualidade:

 

A Lombardia é uma região de onde saem os melhores espumantes italianos, a D.O.C.G. Franciacorta, espalhada por 19 comunas ao redor da cidade de Brescia. Os espumante de Franciacorta, produzidos pelo método tradicional de fermentação na garrafa, são, também, os únicos capazes de rivalizar com os Champagne francês.

 

A região de Emilia-Romagna, mais conhecida entre nós pelos volumes grandes de importação do vinho Lambrusco, branco. Devido a sua forte acidez e presença de gás, é um vinho que acompanha bem refeições com bastante gordura, como a comida tradicional Mineira, ou uma boa feijoada.

 

A região de Veneto, conhecida pelos vinhos Valpolicella e, especialmente, os Proseccos provenientes das D.O.C. de Conegliano e Valdobbiadene. Já os bons Valpolicellas, são vinhos muito saborosos, especialmente os Ripasso de Valpolicella, Amarones e Recioto, elaborados com as uvas autóctones Corvina, Rondinella e Molinara, podendo receber o aporte, até de 15%, de Barbera, Sangioves, Negrara e Rossignola.

 

A região de Piemonte é o berço de alguns dos principais vinhos da Itália e do mundo, com ênfase nos Barolos e Barbarescos elaborados com a uva Nebiollo, que produz os vinhos mais famosos. As cidades dão os nomes aos vinhos, junto com sua uvas. O Barbera d’Alba (uva barbera nas cercanias da cidade de Alba), Barbera d’Asti, Dolcetto d’Alba (o nome da uva é Dolcetto) são alguns bons exemplos disto. Região lindíssima de vinhos deliciosos. Os Barbarescos e Barolos são vinhos por vezes difíceis, muito encorpados e normalmente caros.

 

A região de Abruzzo produz os conhecidos Trebbiano (branco) e Montepulciano d’Abruzzo (tinto) também com a combinação Uva e Cidade, no nome. São bons vinhos sem gastar demasiado.

 

A região de Puglia não é muito representativa, mas começa a crecer de importância com o ressurgimento dos vinhos Primitivo de Manduria D.O.C., que dizem ser a origem para a cepa americana, Zinfandel. Os americanos não tendem a compartilhar dessa versão, mas na boca essa semelhança é evidente. Também importante a D.O.C. Salice Salentino.

 

A região da Toscana é onde temos uma maior disponibilidade de rótulos no mercado. A cepa Sangiovese é a principal uva usada na elaboração dos vinhos da região. Em Montalcino, seu clone recebe o nome de Brunello gerando os fantásticos, complexos, encorpados e caros Brunellos di Montalcino. Em Scansano, recebe o nome de Morellino, daí o Morellino di Scansano um outro D.O.C.G., este mais recente, tendo sido elevado em 2006. Em Montepulciano, recebe o nome de Prugnolo Gentile onde, em conjunto com outras cepas como Canaiolo Nero, gera os ótimos  Nobile di Montepulciano. Desta região saem também alguns incriveis e espetaculares vinhos de reflexão elaborados por grandes produtores com cepas e cortes fora do estipulado na regulamentação vigente. O mercado e os produtores, se encarregaram de denominar estes vinhos como Supertoscanos.

 

A região de Marche é mais uma em que se gasta pouco e se bebe bem. Os dois principais vinhos da região são o branco Verdicchio dei Castlelli de Jeisi e o tinto Rosso Conero. A uva Verdicchio, uma das mais antigas da Itália, dá vinhos de enorme frescor e muito agradáveis de tomar acompanhando peixes grelhados e frutos do mar. O Rosso Conero é tradicionalmente um corte majoritário de Montepulciano com Sangiovese, muito macio e saboroso.

 

A região da Sicília foi estagnada durante tempos, agora vêm surpreendendo nos últimos anos com bons vinhos. Os vinhos elaborados com uvas autóctones são diferenciados e muito saborosos. Os vinhos elaborados com a uva Nero d’Avola têm agradado muito. Alguns bons brancos também, usando cepas autóctones como Insolia, Grecanico e Catarrato com uvas internacionais como o Chardonnay.

 

Durante as décadas de 1980 e 1990, a Itália concentrou grande parte de suas energias na valorização das produções de Cabernet Sauvignon e Chardonnay, mas retorna agora ao passado, redescobrindo e explorando as possibilidades de uvas locais e autóctones, tais como a Barbera, a antiga Malvasia, a Montepulciano e a Nebiolo.

A influência externa, trazida dos vizinhos franceses e também de outras regiões produtoras da Europa e do mundo continua, entretanto, a se fazer presente nas produções atuais, que ao do contrário do que se pode pensar, se configuram numa transformação positiva dos vinhos italianos, misturando as tradições antigas com a modernidade, na elaboração de uma identidade própria, cada vez mais características das terras prediletas de Baco.

 

 

 

Adaptado de:

http://www.sobrevinho.net/mapas/italia-mapa-vinho

http://revistaadega.uol.com.br/artigo/uma-viagem-pelos-vinhos-da-italia_5723.html

http://www.academiadovinho.com.br/_regiao_mostra.php?reg_num=IT

http://viajeaqui.abril.com.br/materias/fotos-de-toscana-italia-sol-de-verao

https://www.clubedosvinhos.com.br/vinhos-italianos-do-passado-e-do-presente/

 

 

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