Degustação Aurora Millésime, safra 1991

24/04/2017

Nesse dia 21/04, sexta feira, recebemos a equipe da Vinícola Aurora, entre eles o enólogo André Peres, para degustação da primeira safra de um dos grandes vinhos elaborados no Brasil: o Cabernet Sauvignon Millésime 1991, uma das melhores que a região já teve.

 

O enólogo André Peres explica quais são as bases que um vinho precisa ter para ser um bom candidato ao envelhecimento: uma boa estrutura de compostos orgânicos (polifenóis, sacarídeos proteicos, matéria corante, taninos, de boas uvas, álcool potente e boa acidez. "Se esse conjunto não apresentar harmonia, esse vinho será apenas um vinho velho. A harmonia é uma riqueza que dá complexidade e que pode vir de uma boa safra, do uso correto da madeira e da habilidade do enólogo dentro da vinícola", completa Peres.

 

Um vinhedo bem implantado, de baixa produtividade e com boa condição climática (sem excesso de chuvas ou de calor escaldante), é o começo para se fazer um vinho longevo. Mas as escolhas daí em diante precisam ser da empresa e do enólogo. Há mais de 27 anos, a Cooperativa Aurora decidiu fazer um vinho varietal diferenciado (a Aurora foi uma das primeiras empresas brasileiras a trabalhar com barricas de carvalho francesas) e assim nasceu o Cabernet Sauvignon Millésime 1991, de uma das melhores safras do Brasil.

 

Os vinhos passam 12 meses pelo amadurecimento na madeira de primeiro uso (onde há uma oxigenação muito lenta e a maturação dos taninos) e envelhecem nas garrafas. Mas esse envelhecimento em garrafa não deve ser entendido de maneira negativa, pois, é na garrafa que ocorrem as reações de terminação como, por exemplo, o aparecimento do buquê, a evolução dos aromas terciários, aqueles advindos do estágio na madeira, e o alcance do esplendor qualitativo.
 

Quando o vinho começa seu inevitável processo de decadência, o álcool se separa e seu cheiro fica mais pungente, a cor se precipita (perde brilho e nuances) e os aromas vão se achatando.

 

O enólogo ressalta que a preservação dos vinhos que se pretende deixar para evoluir deve ser cuidadosa: "A característica dos vinhos longevos é sua estrutura. Os vinhos que têm capacidade de envelhecimento são encorpados e necessitam permanecer estocados por um bom período antes de serem comercializados. Assim sendo, as condições durante o período em que esse vinho ficar estocado em tanque ou em barricas deve ser excelente, de forma a evitar o desenvolvimento de componentes secundários indesejáveis. Além disso, uma vez que este vinho, após o enchimento das garrafas, ficará muito tempo estocado nas caves, ele deve receber um fechamento (rolha de cortiça) que garanta uma perfeita vedação, permitindo uma mínima entrada de oxigênio na garrafa (microoxigenação natural) e garantindo que não haja nenhum vazamento durante todo o período de maturação até a chegada à mesa do consumidor. A temperatura durante o período de estocagem também deve ser controlada, sem grandes variações e nem elevação de temperatura, de forma que favoreça a preservação do produto".

 

 

Degustação:

 

A Adega Suíça teve acesso a uma das poucas garrafas de 6 Litros que sobraram dessa safra emblemática e o vinho encontrado estava evoluído, obviamente, mas vivo e saboroso, elegante em seus 27 anos de vida. André Peres, um dos enólogos da empresa, destaca que o Millésime só é feito em grandes anos, de safras especiais, e que - dentro de uma cooperativa grande como a Aurora - cabe aos enólogos perceberem o potencial das uvas que estão chegando para cada linha de vinhos. "Hoje, com a tecnologia avançada que temos, prensas delicadas, controle rígido de temperatura de fermentação e os enólogos mais capacitados, temos mais oportunidades de fazer não apenas bons vinhos jovens, mas também excelentes vinhos que poderão evoluir por anos, como é o caso do Millésime", completa Peres.

 

 

Notas de prova:

Após 60 minutos de aeração em decanter, mostrou coloração rubi atijolado, mas ainda com bom brilho. Encontrar o vinho, evoluído, mas em perfeitas condições de consumo, é uma imensa alegria! Os aromas falam de madeira, cerejas e ameixas, muito redondo e sem álcool na boca.

A delicadeza impera nesse vinho, com harmonia entre acidez, tanino e a fruta. Uma preciosidade da vinicultura nacional.

 

Poder degustar um ícone, que faz parte da história do vinho no Brasil, é um privilégio e uma sensação que vai deixar saudades.

 

 

Fotos do evento:

 

 

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www.adegasuica.com

 

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